Passamos boa parte de nossas vidas preocupados com coisas que verdadeiramente não são essenciais à felicidade, constituem meros acessórios, penduricalhos dispensáveis que carregamos como se fossem a razão maior da nossa alegria. Detalhes que ganham exagerada importância em nossa existência, ao ponto de perdermos de vista o que de fato não podemos abrir mão.
Agarramo-nos a sentimentos, costumes, tradições, objetos, enfim, a uma série de elementos secundários que ilusoriamente pensamos serem formadores da nossa identidade, de quem nós somos. De modo que perder, por exemplo, o emprego e, por conseguinte baixar o padrão econômico de consumo, é uma agressão a minha identidade, é matar um pedaço significativo de quem eu sou. O que nos esquecemos é que antes de possuirmos aquilo que foi perdido nós já existíamos, diz a palavra de Deus que nossa existência é anterior ao fôlego de vida, melhor dizendo, precede até mesmo a fundação do mundo. Nós somos uma realidade no coração de Deus desde a eternidade.
O ser humano vive a procura de si mesmo, juntando pistas que o ajude a entender quem ele é. Entretanto, o seu campo de busca é limitado, pois está preso ao mundo material, ao cronos. Jesus advertiu que “a vida é mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes” (Lc. 12:23), quem quer encontrar a razão da sua existência não deve estar bitolado pelas coisas deste mundo, somos mais do que profissionais, pais, líderes, filhos, consumidores, cônjuge, afinal nós somos adoradores de Deus, criados para desfrutar de uma relação de amor incondicional com Ele.
Na conhecida passagem bíblica das irmãs Marta e Maria, Marta é um modelo de ser humano que busca encontrar-se nas coisas menores da vida. A postura preocupada com os muitos afazeres demonstra que ela precisava buscar de diversas formas dar sentido a sua vida. O fato de Jesus não elogiar e aprovar o seu trabalho incomoda Marta, pois revela nas entrelinhas que ela ainda não se encontrou, ainda não atingiu o essencial da vida.
Maria por sua vez, é um exemplo de ser humano que descobriu a sua verdadeira identidade, ser um adorador que vive uma relação de amor incondicional com Deus. Na atitude de quedar-se aos pés de Jesus, Maria alcançou a essência da vida, a razão suprema de existirmos.
Pr. Rodrigo de Souza
segunda-feira, março 22, 2010
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